Uma caixa de rolamento dividida é vazada numa coquilha de aço, separada em duas metades, aparafusada de novo num só corpo e mandrilada como uma peça única. Dividida quer dizer que o assento semicircular leva o anel exterior do rolamento e que uma tampa fecha o círculo. A etapa de fundição por gravidade, que enche o molde apenas com o peso do metal, fixa a parede de 5–8 mm e a alimentação por trás do assento. A mandrilagem decide se o furo e o assento partilham um só eixo.
A peça é uma caixa em A356-T6 de 120×95×70 mm e 420±30 g, com um furo de Ø60 H8. Cada um destes números é um alvo de desenho e não uma leitura de amostra, e é a esse alvo que o molde, o vazamento e o passe de mandrilagem respondem.
Substitui uma caixa de alumínio vazada em areia ou uma de ferro fundido, e a troca desloca trabalho da oficina de maquinação para o molde. A areia exige um modelo barato e deixa as secções espessas, pelo que a caixa chega pesada e é maquinada em todas as faces. O ferro traz uma rigidez que o alumínio não tem, a um peso que o chassis carrega.
A rota da coquilha de aço aguenta-se enquanto a parede ficar perto dos 5–8 mm do desenho e o lote pagar o ferramental. A areia fica com a envolvente grande ou a peça única, e o ferro com o caso em que a rigidez pesa mais do que o peso. Esta peça está desenhada para serviço interior, dentro de uma máquina, com óleo e vibração e sem exposição exterior prometida.
Como o molde é de aço e volta à prensa, o seu custo reparte-se por ciclos e não por um modelo único, pelo que uma série curta carrega mais ferramental por caixa. A troca entre rotas é uma questão de volume, exposta em escolher um processo de fundição pelo custo.
Porque o aço extrai calor através da parede com rapidez suficiente para manter uma secção de 5–8 mm, e porque a mesma cavidade devolve a mesma forma em cada ciclo. Um molde de areia é refeito a cada vazamento, pelo que a parede oscila com o calcamento e com o ângulo de saída.
A coquilha é o molde metálico permanente que abre e fecha em cada ciclo; ao contrário da areia, reparte o custo por milhares de ciclos. Uma coquilha faz uma ou duas peças por ciclo, valor típico que ainda aguarda o aval da fundição, e a vida conta-se em ciclos e não em anos.
Três: o furo de Ø60 H8 que leva o anel exterior do rolamento, o assento semicircular sobre o qual a tampa fecha, e a face de montagem com quatro furos de Ø9. O datum é o eixo do furo e a face de montagem, pelo que uma leitura tirada noutro ponto descreve o dispositivo.
Como tolerância de furo, o limite inferior fica na medida nominal e o superior abre uma faixa estreita, por isso o ajuste faz-se por esse diâmetro. Assento e furo partilham um eixo dentro de 0,05 mm, e o furo fica perpendicular à face de montagem dentro de 0,05 mm. Ambos são alvos de desenho, e ambos se ganham numa só fixação de mandrilagem.
Cinco números fecham antes de o molde ser cortado: o furo, a planura das faces de separação, a perpendicularidade do furo em relação à face de montagem, a posição do padrão de furos e a envolvente. Os cinco são alvos de desenho e custam menos a mudar no papel do que no aço.
| Característica | Alvo de desenho | Intervalo admissível | Verificado com |
|---|---|---|---|
| Furo | Ø60 H8 | Limites H8 conforme desenho | Micrómetro de interiores, três pontos |
| Faces de separação | 0,05 mm de planura | Não mais de 0,05 | Placa de planura e calibrador de lâminas |
| Furo em relação à face de montagem | 0,05 mm | Perpendicular dentro de 0,05 | CMM |
| Furos da flange | 4ר9 | Posição Ø0,3 mm | Calibrador passa/não passa e montagem de ensaio |
| Envolvente | 120×95×70 mm | Conforme desenho | Paquímetro |
Uma mudança depois de o molde estar cortado é trabalho de ferramental, por isso o desenho tem de ser aprovado primeiro. O sobremetal de mandrilagem é o argumento habitual: o metal que fica no furo ainda se corta, enquanto um padrão de furos aberto fora de posição não se empurra para trás.
A parede enche-se enquanto o canal de alimentação ainda a abastece, e a coquilha extrai calor pelas duas faces, pelo que a secção solidifica dos dois lados ao mesmo tempo. A liga é alumínio A356 (AlSi7Mg, GB/T 1173 ZL101A) no estado T6, vazada a 700–740 °C para dentro de um molde pré-aquecido a 250–350 °C, faixa típica que aguarda o aval da fundição.
Esse estado é um tratamento térmico completo: solubilização, têmpera em água e envelhecimento artificial; sem ele, a parede não levaria a carga do rolamento. A extremidade espessa dessa faixa solidifica em último e fica ao lado do assento semicircular. A secção de 5–8 mm não é desigual por acaso: o assento leva a carga e essa espessura é também a massa que a alimentação tem de alcançar em último.
Forma-se sob o assento semicircular, no nó onde a parede encontra o assento, porque essa massa solidifica em último com a alimentação já fechada. O vazio de retração é a cavidade que resta quando o metal em contração já não tem líquido de onde puxar. Fica abaixo da face que a ferramenta vai cortar, pelo que o primeiro sinal é uma marca num assento maquinado e não um defeito na fundição.
Um vazio acima de Ø1 mm rejeita a caixa; um de Ø1 mm ou menos passa se o assento estiver são no resto. A decisão toma-se a olho, confirma-se com líquidos penetrantes e entra no relatório de primeira peça como critério de rejeição, não como nota de retrabalho.
A correção está no vazamento, onde um massalote ainda pode alimentar o nó do assento. O massalote é o reservatório que mantém metal líquido junto à peça enquanto esta contrai. Como o defeito aparece depois da mandrilagem, o tempo de máquina gasta-se antes de ele se ver, e um orçamento que só cota o passe de mandrilagem não o remove.
Três características são maquinadas: as faces de separação são fresadas, o furo é mandrilado depois de as metades estarem aparafusadas, e os quatro furos da flange são brocados. As faces vazadas mantêm o acabamento da granalhagem, e cada face maquinada fica como foi cortada.
A cadeia passa pela fusão e desgaseificação, o vazamento, a desmoldagem, o corte de ataques e massalotes, o desbarbamento, a granalhagem, o fresamento das faces de separação, a mandrilagem com as metades unidas, a furação da flange e a inspeção final. Dez passos, com o âmbito de maquinação posterior a cargo desses três cortes.
O fresamento vem antes da mandrilagem por necessidade. Uma face de separação cortada depois do furo moveria o eixo em que o furo foi maquinado, e a caixa teria de ser mandrilada outra vez.
Porque cada metade mandrilada em separado dá dois eixos ao assento e ao furo, e um anel de rolamento montado sobre dois eixos gasta-se de um lado. Aparafusar devolve à caixa a forma de serviço, e um só passe corta as duas metades sobre um único eixo.
A ficha do produto coloca o assento semicircular nessa mesma fixação, que é como se alcança o alvo de 0,05 mm de coaxialidade; essa sequência ainda aguarda confirmação. A coaxialidade lê-se num CMM (máquina de medição por coordenadas) a partir do eixo do furo e da face de montagem, e uma montagem de ensaio prova que o rolamento entra, não que o anel assenta num só eixo.
Como o aparafusamento, o passe de mandrilagem e o desaparafusamento são três estações, o passo custa mais do que um passe único. Essa diferença pertence ao orçamento, e uma comparação sem ela mede dois processos diferentes.
Porque a granalha alcança todas as faces vazadas enquanto as faces de separação e o furo ainda têm sobremetal. O grau Sa 2,5 segundo a ISO 8501-1 é o acabamento dessas superfícies vazadas, e as faces maquinadas não são granalhadas de todo.
O grau significa que não resta carepa, ferrugem nem pintura, apenas metal de rugosidade uniforme comparado com a fotografia da norma. Se se trocarem os dois passos, a granalha pica as faces que levam o rolamento e a junta. Recuperá-las obriga a mascarar antes ou a cortar outra vez depois, numa peça cujos limites já são de 0,05 mm.
Essa ordem decide também a base de cotação da granalhagem: a área de superfície vazada e não a peça inteira, já que as faces maquinadas nunca veem a granalha.
Seis verificações libertam a caixa. O CMM resolve perpendicularidade e coaxialidade, um micrómetro de três pontos mede o furo, e uma placa com calibrador de lâminas testa as faces de separação. Os calibradores e uma montagem de ensaio provam os furos da flange, os líquidos penetrantes encontram um assento aberto, e uma verificação de rugosidade fecha as faces maquinadas.
| Verificação | Aceite quando | Instrumento |
|---|---|---|
| Furo e ovalidade | 0,03 mm no máximo | Micrómetro de interiores de três pontos |
| Perpendicularidade | 0,05 mm no máximo | CMM, face de montagem como datum |
| Coaxialidade | 0,05 mm no máximo | CMM, eixo do furo como datum |
| Faces de separação | Planura dentro de 0,05 | Placa e calibrador de lâminas |
| Furos dos parafusos | Calibradores passam, peça monta | Passa/não passa e montagem de ensaio |
| Assento | Sem vazio aberto acima de Ø1 mm | Olho, depois líquidos penetrantes |
Ovalidade e perpendicularidade resolvem a maioria das discussões: ambas se movem quando a peça é apertada. Um furo medido no dispositivo lê um valor e o mesmo furo solto lê outro, pelo que o relatório tem de nomear o estado em que mediu.
Os líquidos penetrantes cobrem o que o olho perde: uma cavidade que chega à face maquinada mas que à lâmpada se lê como um borrão. Têm um limite que vale a pena escrever no desenho: uma cavidade fechada sob a pele não retém corante.
O furo liberta-se depois de as metades estarem aparafusadas, porque a carga dos parafusos o move. As leituras tiradas antes descrevem uma peça solta, enquanto o furo sob carga é aquele que o rolamento encontra.
Um registo de exemplo mostra a diferença. Um furo oval de 0,05 mm lido depois do aparafusamento voltou a 0,02 mm com a mandrilagem em conjunto e um passe de alívio de tensões, com a linha do passe ainda nos 0,03 mm.
Essa reverificação pertence ao relatório de CMM com o estado aparafusado nomeado, do mesmo modo que a inspeção por CMM é documentada noutras peças.
Quatro blocos: a coquilha de aço amortizada ao longo dos ciclos, o vazamento com corte de ataques e desbarbamento, a maquinação com o passo de mandrilagem em conjunto, e a granalhagem com os ensaios de libertação. Numa caixa de 420 g o metal é o bloco mais pequeno, pelo que um orçamento feito sobre o peso perde a maior parte do trabalho.
Cada bloco escala com a sua própria variável, da quantidade do lote à área vazada.
Como o passo de mandrilagem leva um aparafusamento, um passe e um desaparafusamento com reverificação, é o bloco que falta mais vezes quando dois orçamentos se põem lado a lado. O segundo é o alívio de tensões, que não se recupera depois do acabamento.
Peça o passo de mandrilagem em conjunto e a linha de líquidos penetrantes pelo nome. Um é cotado como maquinação corrente, a outra como inspeção, e uma caixa comparada sem eles compara-se sobre os quatro blocos errados. O vazamento e a maquinação de um mesmo pedido correm como uma só rota, mostrada em um projeto de dobradiça fundida sob pressão e maquinada e em maquinação contra fundição.